quarta-feira, 13 de julho de 2011

Doce Lar

Abra-me como uma ladrão sagaz
para roubar meu branco de paz
com todo alvoroço dos teus anos
crús

Mas deixe vestígios teus em meus redutos
Sabes que nele vive um jovem puto
que arde por cortejos neste canto
que é a tua casa, teu lugar

sábado, 9 de julho de 2011

O mar só respira mar
Se amar fosse fácil como rimar, eu rimaria e riríamos mais

quinta-feira, 7 de julho de 2011

romA

Homem
ele é todo seu
de quatro, de carne
de todos os cantos
de romA

Homem
o que dele tem
o que há demais
nesses versos
de romA

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Porque hoje a falta que ele me faz doeu
Ainda mais que vivo
Integralmente nesse tempo morto

terça-feira, 26 de abril de 2011

Barbie Disfarçada

Ah, suas porta-joias verdes. Seu rostinho bonito. Seus cabelos mel
Aí eu te abro
Ah, sua porta-bandeira enfraquecida. Seu pudor repulsivo. Sua mente lixo
Aí eu te fecho

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Mãe

O que a mãe pedia era só um pouco de atenção
mas ela era ocupada demais na escalada do pico
A mãe desejava só um beijo e um abraço
mas ela mal tempo tinha pros pobres de cabaço

A mãe só queria poder aquilo de novo
mas ela precisava o sustento o pão o ovo
a mãe queria da filha o que agora lhe falha
e não se conformava em ser aquela puta velha


sábado, 26 de março de 2011

Meus Homens Meus Fins

Avisaram no cinema que o mundo ia se acabar
Tratei ali mesmo de escolher os homens a amar

homens sem terno, homens sem nada
homens de bamba, que são do samba
homens pintados, homens pintudos
homens de versos, de vírgulas e prosas achadas

homens quadrados, homens chatos
homens de cérebro, homens de fato
homens sem vaidade, homens de loucura
homens que choram, homens que curam

Avisaram no cinema que o mundo ia se acabar
Tratei ali mesmo de ver que não há homem de amar

domingo, 20 de março de 2011

O Nada

É no silêncio tardio desses dias que o poeta chora de saudade
e a saudade, não inquieta, nada quer além do desejo
o desejo é tão direto que só requer a carne sem maldade
e nem a carne vem ao poeta no silêncio tardio desses dias

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dobradinha

Vem, meu jovem rapaz
me presenteie com essa mocidade voraz
Vem com seu pênis melhor
molhar os meus hábitos de cor

Vem, minha jovem donzela
me apresente os lábios da sua aquarela
Vem com sua abertura certa
infiltrar onde sente que me aperta

domingo, 30 de janeiro de 2011

Perdoe-me a incoerência
se te peço para sentar e levantar
em minutos de sequência
é só porque preciso gozar

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Estive eu pensando na vida. Nas suas guilhotinas, nos seus buquês. Estive eu sentado na rocha mais que pública, onde como a vida é de todos. Estive matematicamente analisando os sorriso dos mais próximos, daqueles mais calorosos. Então pensei nos porquês dos fins provocados. Chorei pelos privados de despedidas. Chorei pelos úteros que concebem e, que por fim, sem mais ou menos ou até mesmo por alguma divisão, se desprendem. Estive eu pensando na vida. Já em pé e com os olhos nos despelados, naqueles que sofrem frio, vi que nada temos além de honra. Não há mais lembrança do pó.

Folhetim a dois

Dê tempo a história que se inicia. Está no começo, então não tente escrevê-la somente com suas mãos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quando nasci o amor disse que daria um passeio.
Acho que ele se perdeu no caminho de volta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Meus

por todos os esgotos que já beijei
por todos as porras que já tomei
e na abertura do que tem lá trás
a volta dos paus que já chorei
e nesse véu de passado há o mais
o primeiro do hábito que provei
por todos os buracos que já me enfiei
por todos os jeitos que me entreguei
e não, eu não quero saber de paz
apenas do modo velho em que me tornei
por todos os santos em que me dei
por todos os cavalos com quem trepei

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pau (lo)

De início ficaram seu tato nos bolsos desses jeans
numa presença morna que, não nego, atentei sim
agora o que instiga é o cheiro cinza dos teus mistérios
e até seus falsos olhos pagos não são nada além de sérios
Foi então o que sobrou para mim, artefatos dos seus sinceros.