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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

“Desejo é uma palavra com a vivez do sangue”


Ver-te em meias vestes é tão flor vermelha
de botos nus
Na ponta um orvalho de desejo
de botão

Ver-te assim de meia pétala a despertar
em mim
No abocanho de onde a jura vem
de tão vermelha

“Porque o instante arde interminável. Deverias crer?”

Ver-te em vão não é então de ver
Vermelho
Na inocência rosa flor que és
de um segundo

Ver-te a meia volta o seu dobrar
Insatisfeito ver
Na verdade só para tê-lo
tão vermelho

“Sobre o teu sexo. Deverias crer?”

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Doce Lar

Abra-me como uma ladrão sagaz
para roubar meu branco de paz
com todo alvoroço dos teus anos
crús

Mas deixe vestígios teus em meus redutos
Sabes que nele vive um jovem puto
que arde por cortejos neste canto
que é a tua casa, teu lugar

sábado, 26 de março de 2011

Meus Homens Meus Fins

Avisaram no cinema que o mundo ia se acabar
Tratei ali mesmo de escolher os homens a amar

homens sem terno, homens sem nada
homens de bamba, que são do samba
homens pintados, homens pintudos
homens de versos, de vírgulas e prosas achadas

homens quadrados, homens chatos
homens de cérebro, homens de fato
homens sem vaidade, homens de loucura
homens que choram, homens que curam

Avisaram no cinema que o mundo ia se acabar
Tratei ali mesmo de ver que não há homem de amar

domingo, 20 de março de 2011

O Nada

É no silêncio tardio desses dias que o poeta chora de saudade
e a saudade, não inquieta, nada quer além do desejo
o desejo é tão direto que só requer a carne sem maldade
e nem a carne vem ao poeta no silêncio tardio desses dias

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dobradinha

Vem, meu jovem rapaz
me presenteie com essa mocidade voraz
Vem com seu pênis melhor
molhar os meus hábitos de cor

Vem, minha jovem donzela
me apresente os lábios da sua aquarela
Vem com sua abertura certa
infiltrar onde sente que me aperta

domingo, 30 de janeiro de 2011

Perdoe-me a incoerência
se te peço para sentar e levantar
em minutos de sequência
é só porque preciso gozar

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Meus

por todos os esgotos que já beijei
por todos as porras que já tomei
e na abertura do que tem lá trás
a volta dos paus que já chorei
e nesse véu de passado há o mais
o primeiro do hábito que provei
por todos os buracos que já me enfiei
por todos os jeitos que me entreguei
e não, eu não quero saber de paz
apenas do modo velho em que me tornei
por todos os santos em que me dei
por todos os cavalos com quem trepei

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lobos

já cedi minha carne a homens que se diziam homens
a lobos que no encontro da fome se serviram dos próprios lobos
quem são esses, então?
que carregam no faro os cedros da alegria
que exibem nas mãos a mais insignificante promessa do fiel
predadores do animal mais garboso
convincente à tua fêmea,
à fome
de homens que se dizem homens
até quando são banquetes dos próprios lobos

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nós 3

Estamos todos molhados aqui em baixo
não há chuva pra olhar
nem trapos pra cobrir
apenas línguas pra secar

Os volumes continuam crescendo
não há ardência pra gostar
nem plásticos pra amenizar
apenas três motivos pra gozar

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Beijo grego

Hoje tenho o teu cavalo
que é marinho, do lado oposto
que é divino vê-lo ao monte
do lado onde lambe fogo

Se esses gestos dessem calo
teria eu no sentido do meu gosto
no céu de onde o prazer é fonte
quando dele deriva fogo

sábado, 11 de setembro de 2010

Cavalos

Homens do bem e mal
de paz e de pau
de fúria ao anal

Homens de orgulho e dor
de peito e de cor
de prazer onde for

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Passeio no inferno

Ontem, me lembro bem, vagava eu no céu de santas não tão virgens assim
bebia das águas de fontes puras e delicadas.
Passeios de asas em dias de regozijo

Hoje, decidi sentar no colo da brutalidade.
Santos rígidos e prontos.
Bebo agora o gozo e o verme em brasa
arrastando-me nas noites de luxúria

Por Daniel Van Flymen - galeria


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fêmeas

Te espero tão bonita
de bocas semi abertas
sem sangue em vestes
cor de sangue tão bonitas

Teus montes tão macios
pro meu batom vermelho
em sangue a calafrio
se teu batom nos lábios frios

Te espero minha mulher
como outra santa
de outros montes
aberta a quem se quer

Teus pelos vermelhos
deseja minha carne fêmea
de carne úmida nesses
lábios são espelho minha mulher


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pico

escultura divina dos céus
das bocas mais sedentas

espada que penetra a carne
humana desleal

membro ativo que pontua
orifícios, manuais

jorra a vida em cor de paz
e por fim nos satisfaz

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dúvida e Certeza

Por Daniel Van Flymen

Como seria estar lá, lá dentro?
cavidade alagada
que nada exalta os nervos
permanecem calados

Risos e rijos encontra no dele
exuberância querida
que obriga rompimento dos lábios
bendita comida

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Papelão

papéis de cartão
papéis de almaço
papel passado

papéis de jornal
papéis quadriculados
papel higiênico

papéis impressos
papéis rabiscados
papel avulso

papéis reciclados
papéis recortados
papel de puta

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Vontade

O homem da lotação o desejou como homem
e como homem identificou-se como membro
comendo com olhos como se fosse boca
o que um homem como ele come como homem