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sábado, 9 de julho de 2011

O mar só respira mar
Se amar fosse fácil como rimar, eu rimaria e riríamos mais

quinta-feira, 7 de julho de 2011

romA

Homem
ele é todo seu
de quatro, de carne
de todos os cantos
de romA

Homem
o que dele tem
o que há demais
nesses versos
de romA

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Porque hoje a falta que ele me faz doeu
Ainda mais que vivo
Integralmente nesse tempo morto

sábado, 26 de março de 2011

Meus Homens Meus Fins

Avisaram no cinema que o mundo ia se acabar
Tratei ali mesmo de escolher os homens a amar

homens sem terno, homens sem nada
homens de bamba, que são do samba
homens pintados, homens pintudos
homens de versos, de vírgulas e prosas achadas

homens quadrados, homens chatos
homens de cérebro, homens de fato
homens sem vaidade, homens de loucura
homens que choram, homens que curam

Avisaram no cinema que o mundo ia se acabar
Tratei ali mesmo de ver que não há homem de amar

domingo, 20 de março de 2011

O Nada

É no silêncio tardio desses dias que o poeta chora de saudade
e a saudade, não inquieta, nada quer além do desejo
o desejo é tão direto que só requer a carne sem maldade
e nem a carne vem ao poeta no silêncio tardio desses dias

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Folhetim a dois

Dê tempo a história que se inicia. Está no começo, então não tente escrevê-la somente com suas mãos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quando nasci o amor disse que daria um passeio.
Acho que ele se perdeu no caminho de volta.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pau (lo)

De início ficaram seu tato nos bolsos desses jeans
numa presença morna que, não nego, atentei sim
agora o que instiga é o cheiro cinza dos teus mistérios
e até seus falsos olhos pagos não são nada além de sérios
Foi então o que sobrou para mim, artefatos dos seus sinceros.

domingo, 24 de outubro de 2010

Carência

Eu só preciso um pouco mais de você
um pouco além do seu gozo e seu álcool
um tanto em quando do teu peito que se pode inflar

É disso que eu preciso
um pouco mais do teu apreço, teu regalo

Eu só aceito um pouco mais de você
quando propor um banquete além da carne
uma forma exótica que se pode amor chamar

É isso que eu aceito
um pouco mais do teu tempo, teu medo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

São nessas horas que meu coração chora e assina de punho a saudade que você faz.
Quão maldito é o tempo que encerra as horas do nosso tempo.
Saudade, você é a companhia mais teimosa e indesejável.
No tempo não confio. Ele te expulsa, mas a convida com frequência.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Flores

É provável que eu entre naquela fase boa (não eterna) em que nós nos conheceremos.Vou desde já olhar o calendário e somar os dias que assim se passarão. Me desejaram bençãos. Preciso mesmo de bençãos. Apesar de que, agora, com poucas experiências que minha pouca idade permitiu, aprendi a me dar com o início dessa fase. É como as flores. Sim, é exatamente como as flores.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nós

você podia querer alguém melhor e
eu podia querer alguém mais
mas a gente se quer bem

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dono do abraço

Pai, que mãos o meu segredo
difícil o meu medo
no teu sonho mais perfeito

Quando vem com aquele abraço
ainda tenho sarro desse fato
que mesmo eu o faço

Pai, de todo meu alento
numa quadra em pensamento
deu meia volta contra o vento

Quem mesmo é que não sabe
das graças do teu rebento
não dá juízo a quem não cabe

segunda-feira, 22 de março de 2010

Saudade do Amor

Doce amor que não se tem
nem de mais nem de ninguém
sem os cheiros e seus primeiros
amores que provêm

Amargo amor que não se tem
nem recebido ou mais despercebido
com as cores e seus tremores
não, não mais se tem

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Rainha da Maldade II

A saudade vai bater, sim vai
chorar eu sei que vou
e não há mais clara esperança

A saudade vai bater, eu sei que vai
recusar eu sei que vou
é tristeza e pé no chão

A saudade vai bater, ainda vai
feliz será o difícil
pois sou sofrimento de quem ama

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Rainha da maldade

Saudade
em que os abutres lá dentro voam
desespero de minha dor
ameaçadora em cunho de delírio
Falta que se faz
na escuridão de olhos abertos
atentos ao vocabulário dos castigos
ameaçador em calão grosseiro
Logística
de pontes desmanchadas pelo tempo
frio e quente nas suas obrigações
que roubam de nós o oculto tempo
Saudade

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Retorno

Eu tô rindo de quê?
da mulher predreira na TV
do meu povo cheio de querer
o melhor pros filhos comer

Eu tô rindo pra quem?
pro samba que cria um jovem
e leva na noite bom ânimo
aos corações que carecem de paz

Eu tô chorando por quê?
porque o porto perdeu seu príncipe
novos e velhos mudaram de lá
baixou a cidade, como não chorar?

Eu tô chorando por onde?
a água matou muita sede na pátria
matou muita gente, que horror!
um tanto de mãe, um fardo de dor

Por onde choro rindo de quê?
Por que eu rio chorando de quem?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Então a vida me permite dois irmãos

Num desses dias
talvez especial
talvez desigual
tudo parece
tudo aparece

Você e mais um
comigo mais um
faz e se mexe
meu coração remexe
e tenho outro

pra gostar de rir
pra gosto de amar
e pedir licença
na maior insistência
pra você ficar

e se você não quer
eu já não tenho
nem um nem outro
nem de mim tampouco
e pra mim é pouco