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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Para foder um livro não é preciso muito.
Basta entrar só de cabeça nele.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Estive eu pensando na vida. Nas suas guilhotinas, nos seus buquês. Estive eu sentado na rocha mais que pública, onde como a vida é de todos. Estive matematicamente analisando os sorriso dos mais próximos, daqueles mais calorosos. Então pensei nos porquês dos fins provocados. Chorei pelos privados de despedidas. Chorei pelos úteros que concebem e, que por fim, sem mais ou menos ou até mesmo por alguma divisão, se desprendem. Estive eu pensando na vida. Já em pé e com os olhos nos despelados, naqueles que sofrem frio, vi que nada temos além de honra. Não há mais lembrança do pó.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os seres humanos vão aos poucos nos construindo, mas alguns deles podem nos destruir de uma só vez.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

São nessas horas que meu coração chora e assina de punho a saudade que você faz.
Quão maldito é o tempo que encerra as horas do nosso tempo.
Saudade, você é a companhia mais teimosa e indesejável.
No tempo não confio. Ele te expulsa, mas a convida com frequência.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Passeio no inferno

Ontem, me lembro bem, vagava eu no céu de santas não tão virgens assim
bebia das águas de fontes puras e delicadas.
Passeios de asas em dias de regozijo

Hoje, decidi sentar no colo da brutalidade.
Santos rígidos e prontos.
Bebo agora o gozo e o verme em brasa
arrastando-me nas noites de luxúria

Por Daniel Van Flymen - galeria


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Flores

É provável que eu entre naquela fase boa (não eterna) em que nós nos conheceremos.Vou desde já olhar o calendário e somar os dias que assim se passarão. Me desejaram bençãos. Preciso mesmo de bençãos. Apesar de que, agora, com poucas experiências que minha pouca idade permitiu, aprendi a me dar com o início dessa fase. É como as flores. Sim, é exatamente como as flores.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Julho

Quero Julho com toda síndrome da pressa.
E quando esse tempo chegar
Eu quero a malemolência dos dias em passos cegos.

terça-feira, 6 de abril de 2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Antes de deixá-lo ir

Talvez seja preciso deixá-lo ir desta - definitiva - vez. O tanto devido me importei, senti. São minhas religiões. Talvez seja preciso deixá-lo ir. Tentei, roguei. São minhas permissões. O que fiz desde então? Não sei. Não encontro o ponteiro convicto da nossa direção, então posiciono a agulha com o próprio dedo. Sem certeza, sem confiança. Mas o que posso fazer? O que se deve esperar? Não sei se é melhor tê-lo na folga do teu abandono ou se é melhor nunca mais. Não sei se é melhor insistir ou se devo desistir. Não sei como andar nesse deserto, sem bússola, sem verdes. Por isso, me sinto no desconforto do episódio. Sem saber se o rumo certo foi apontado. Peço, não deixe de se preocupar, sempre. Perceba a dificuldade em saber o que será bom daqui pra frente. Os costumes, hábitos, os ícones e os símbolos talvez não sejam os mesmos. O pulsar que convida o choro pode ser mais intenso (como tem sido nos últimos dias) e a muralha de areia poderá nunca descansar. Não estou bem, mas talvez seja preciso deixá-lo ir ou precise ainda mais de você, meu irmão.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cigarretes

Fui derrotado pelo vício inferno que traga minha vida aos poucos.
Ao menos venci o tédio maldito que nem o pouco me deixa ser.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Acampamento urbano

O arroz até cai em companhia. O menino, despenteado, se ajeita para engolir a marmita. A mãe está nos devaneios do voraz consumo que se propõe - como quem descobre um parque de diversões (ou uma fábrica de chocolate). Ela, prestativa aos anseios, chegou cedo. Fez dali, sua casa. Mais a frente, os parceiros de mão, de mãe, de papo, de trapo, de fato. Cansados, aguardam a oportunidade - que geralmente vem nesta época de estoque velho - sentados. A que não tem marido passa a pensar no ferro de passar à R$ 19,90. A mãe velha trocará a TV velha pela TV gigante (não tenho noções de polegadas). A senhora de braços à tanque não via hora de lavar na máquina de lavar. E tem aqueles que procuram um novo som de batidão, de penteadeira, de fogão, de lava-louças, de panela de pressão. O garotão, na fila, só quer acesso ao unviverso virtual. Seu irmãozinho, um brinquedinho anormal. Mas tem o pai, não desses todos, mas de uns que nem ele sabe. Tá ali, querendo apenas aproveitar o gosto de gastar. Depois desses tantos, e no meio das prestações, todo mundo dá um jeito de engolir a marmita.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vício eterno de uma mente com lembranças

Não aguentava mais ver aquilo no escuro. Ou melhor, não ver. Cautelosamente conquistei a luz. Pude assistir o ato, deslumbrando cada movimento. Ele, sempre agitado naquela hora da noite, estava com os nervos rígidos. Vermelho (ou roxo), em pé e pronto para lançar sobre ela a qualquer momento. Ela, desencaminhada em movimentos lânguidos e às vezes firme, se batia contra e a favor dele. Prazer imenso, onde consegui intervir apenas no final e, como já sabia, entrei numa melemolência singular (apesar de que sempre é a mesma coisa). Uma vergonha? Não, não para os imorais e não arrependidos como eu. Além do mais, em todas as casas aquilo acontece . Todas. Fui dormir imundo.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Figuras trocadas

Vou num tom, mas volto sem a menor harmonia. Se por aí estou, até sou, mas para o lado de cá, não existo. Ao redor deles, sorrio e rogo às horas para lentos passos, pois quero ficar. Que me perdoe os meus, mas não há felicidade por aqui e nem ali, apenas lá. Sinto-me perdido como as gotas de chuva que em primeira viagem desconhecem a macia terra e, junta dela, minhas lágrimas. Devo ser um verme, desses que se apega e louva os seres humanos e, deles, o meu amor é maior. Por quê? Não entendo, apenas amo sem seleção de nomenclatura, apenas amo. Não existe pai, não houve mãe. Não sou da minha, não que eu não queira. Acontece. Aconteceu desde sempre. Agora é tão intenso, talvez pela semelhança incoerente, talvez pela inocência voraz e faminta por experiência vida. Até pode ser pelos olhos que não temem o encontro. Não sei. Não é esclarecedor o meu ato de apropriação de afetos e gestos e isso tortura. Cavalgo na fera cega, sem mapa, sem exatidão. Mas conforto as luzes internas excluindo os catálagos, as placas, as relações. No caminho cinza (ou preto e branco) encontro a árvore estarrecida e em lamentos. Com doses de confusão, choro. Derramo por saudade no colo de minha mãe e na seguência dos fatos, odeio. Por quê? Por que amo mais os que não são meus? Por quê?

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Paciência, meu rapaz

Ô meu Deus, eu não sei
porque esse título ganhei
Se tudo isso também é meu
por que neste canto me concedeu?

Peço que me demita, ó Pai
deste nome que a canção influenciou
e me sopre para o destino da história
onde o povo e o som fizeram memória

Onde o calor que passa é maior
e o carnaval, sem dúvida, é melhor
onde os passos de dança são raízes
e tú, Senhor, tem os braços abertos e seduz

Mas se para lá, ó Pai, não me fantasia
carrega-me então para onde o sol tem vergonha
e as folhas com chuva ensaiam ritos dançantes
no lar onde o frio acompanha o vinho de Borgonha

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Embora, embora

Retornou
e numa manhã de Terça me carregou para o Rio
me fazendo ver o que o Brasil não viu

Peixes na escada, dupla de samba e o preto véio que pouco enxerga na calçada

Os trapos fortes cores, num vermelho azul
com branco gesso de fundo em flores, tão...

Me buscou
nesse verde pacato que me vejo na vida
que não cansa de segurar e fazer ficar

num canto preso de martelo ao peito
vendo o Rio tão ali, de mundo inteiro

embora, embora
me carrega daqui

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Egoísta

Eu de viver os eróticos em estampas
Eu de tocar as mãos dos filhos sem pais
Eu que sou das santas
dos desviados por demais

Eu de chorar os véus de mulheres cristãs
Eu de tomar o fino final mesmo em pé
Eu que sou das pagãs
e me entusiasma o candomblé

Eu de querer os homens e amar as mulheres
mesmo que desfiadas em menosprezos de séries
Eu que em dias me amo
e nem pareço ter esses anos

Eu, tão eu que não quero
Eu, em virtude de diversos
de versos
que são eu

Eu de desejar o preto da eternidade
Eu de buscar o acesso a claridade
Eu que sou dos alternos
dos gargalhos deste inferno

Eu, tão eu que me quero
Eu, no encontro dos meus
diversos
que são eu

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pertubação

Paralítico no berço quente ao norte
Anseio
de mundo

Soma-se poucos anos para o crescimento forte
onde o menino possa andarilhar
sem dor de volta ao gesto nômade

Serrem as pernas ou as entorte
mas troquem o brinquedo
de canções aborrecidas ao longo do enforque

Daqui tempos vacilantes não mais
aqui
Pois daqui não mais será
mesmo que o berço o acompanhe por entre a sorte

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Minha

Já não estou para a escrita
Fechei a porta na cara das palavras
estas, que não dão o que comer
E quanto ao espanto, dei-lhe tapas
porque lançou-me sobre os pregos
e a misericórdia? Nada tem a fazer
Então seguro as mãos de um corcunda
e o acompanho até a morte.