terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Estive eu pensando na vida. Nas suas guilhotinas, nos seus buquês. Estive eu sentado na rocha mais que pública, onde como a vida é de todos. Estive matematicamente analisando os sorriso dos mais próximos, daqueles mais calorosos. Então pensei nos porquês dos fins provocados. Chorei pelos privados de despedidas. Chorei pelos úteros que concebem e, que por fim, sem mais ou menos ou até mesmo por alguma divisão, se desprendem. Estive eu pensando na vida. Já em pé e com os olhos nos despelados, naqueles que sofrem frio, vi que nada temos além de honra. Não há mais lembrança do pó.

Folhetim a dois

Dê tempo a história que se inicia. Está no começo, então não tente escrevê-la somente com suas mãos.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Quando nasci o amor disse que daria um passeio.
Acho que ele se perdeu no caminho de volta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Meus

por todos os esgotos que já beijei
por todos as porras que já tomei
e na abertura do que tem lá trás
a volta dos paus que já chorei
e nesse véu de passado há o mais
o primeiro do hábito que provei
por todos os buracos que já me enfiei
por todos os jeitos que me entreguei
e não, eu não quero saber de paz
apenas do modo velho em que me tornei
por todos os santos em que me dei
por todos os cavalos com quem trepei

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pau (lo)

De início ficaram seu tato nos bolsos desses jeans
numa presença morna que, não nego, atentei sim
agora o que instiga é o cheiro cinza dos teus mistérios
e até seus falsos olhos pagos não são nada além de sérios
Foi então o que sobrou para mim, artefatos dos seus sinceros.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Espetáculo a dois

Regendo sua saliva para deixar tudo mais musical
acompanhando a dança que segue a pele num pedaço marginal
E eu rindo desse enrolar de língua num idioma que é tão nosso
desenhando falsas notas nesse instrumento que tanto gosta

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lobos

já cedi minha carne a homens que se diziam homens
a lobos que no encontro da fome se serviram dos próprios lobos
quem são esses, então?
que carregam no faro os cedros da alegria
que exibem nas mãos a mais insignificante promessa do fiel
predadores do animal mais garboso
convincente à tua fêmea,
à fome
de homens que se dizem homens
até quando são banquetes dos próprios lobos

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nós 3

Estamos todos molhados aqui em baixo
não há chuva pra olhar
nem trapos pra cobrir
apenas línguas pra secar

Os volumes continuam crescendo
não há ardência pra gostar
nem plásticos pra amenizar
apenas três motivos pra gozar

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Os seres humanos vão aos poucos nos construindo, mas alguns deles podem nos destruir de uma só vez.

domingo, 24 de outubro de 2010

Carência

Eu só preciso um pouco mais de você
um pouco além do seu gozo e seu álcool
um tanto em quando do teu peito que se pode inflar

É disso que eu preciso
um pouco mais do teu apreço, teu regalo

Eu só aceito um pouco mais de você
quando propor um banquete além da carne
uma forma exótica que se pode amor chamar

É isso que eu aceito
um pouco mais do teu tempo, teu medo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Beijo grego

Hoje tenho o teu cavalo
que é marinho, do lado oposto
que é divino vê-lo ao monte
do lado onde lambe fogo

Se esses gestos dessem calo
teria eu no sentido do meu gosto
no céu de onde o prazer é fonte
quando dele deriva fogo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

São nessas horas que meu coração chora e assina de punho a saudade que você faz.
Quão maldito é o tempo que encerra as horas do nosso tempo.
Saudade, você é a companhia mais teimosa e indesejável.
No tempo não confio. Ele te expulsa, mas a convida com frequência.