Doce amor que não se tem
nem de mais nem de ninguém
sem os cheiros e seus primeiros
amores que provêm
Amargo amor que não se tem
nem recebido ou mais despercebido
com as cores e seus tremores
não, não mais se tem
segunda-feira, 22 de março de 2010
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Rainha da Maldade II
A saudade vai bater, sim vai
chorar eu sei que vou
e não há mais clara esperança
A saudade vai bater, eu sei que vai
recusar eu sei que vou
é tristeza e pé no chão
A saudade vai bater, ainda vai
feliz será o difícil
pois sou sofrimento de quem ama
chorar eu sei que vou
e não há mais clara esperança
A saudade vai bater, eu sei que vai
recusar eu sei que vou
é tristeza e pé no chão
A saudade vai bater, ainda vai
feliz será o difícil
pois sou sofrimento de quem ama
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Antes de deixá-lo ir
Talvez seja preciso deixá-lo ir desta - definitiva - vez. O tanto devido me importei, senti. São minhas religiões. Talvez seja preciso deixá-lo ir. Tentei, roguei. São minhas permissões. O que fiz desde então? Não sei. Não encontro o ponteiro convicto da nossa direção, então posiciono a agulha com o próprio dedo. Sem certeza, sem confiança. Mas o que posso fazer? O que se deve esperar? Não sei se é melhor tê-lo na folga do teu abandono ou se é melhor nunca mais. Não sei se é melhor insistir ou se devo desistir. Não sei como andar nesse deserto, sem bússola, sem verdes. Por isso, me sinto no desconforto do episódio. Sem saber se o rumo certo foi apontado. Peço, não deixe de se preocupar, sempre. Perceba a dificuldade em saber o que será bom daqui pra frente. Os costumes, hábitos, os ícones e os símbolos talvez não sejam os mesmos. O pulsar que convida o choro pode ser mais intenso (como tem sido nos últimos dias) e a muralha de areia poderá nunca descansar. Não estou bem, mas talvez seja preciso deixá-lo ir ou precise ainda mais de você, meu irmão.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Dúvida e Certeza
![]() |
| Por Daniel Van Flymen |
Como seria estar lá, lá dentro?
cavidade alagada
que nada exalta os nervos
permanecem calados
Risos e rijos encontra no dele
exuberância querida
que obriga rompimento dos lábios
bendita comida
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Rainha da maldade
Saudade
em que os abutres lá dentro voam
desespero de minha dor
ameaçadora em cunho de delírio
Falta que se faz
na escuridão de olhos abertos
atentos ao vocabulário dos castigos
ameaçador em calão grosseiro
Logística
de pontes desmanchadas pelo tempo
frio e quente nas suas obrigações
que roubam de nós o oculto tempo
Saudade
em que os abutres lá dentro voam
desespero de minha dor
ameaçadora em cunho de delírio
Falta que se faz
na escuridão de olhos abertos
atentos ao vocabulário dos castigos
ameaçador em calão grosseiro
Logística
de pontes desmanchadas pelo tempo
frio e quente nas suas obrigações
que roubam de nós o oculto tempo
Saudade
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Retorno
Eu tô rindo de quê?
da mulher predreira na TV
do meu povo cheio de querer
o melhor pros filhos comer
Eu tô rindo pra quem?
pro samba que cria um jovem
e leva na noite bom ânimo
aos corações que carecem de paz
Eu tô chorando por quê?
porque o porto perdeu seu príncipe
novos e velhos mudaram de lá
baixou a cidade, como não chorar?
Eu tô chorando por onde?
a água matou muita sede na pátria
matou muita gente, que horror!
um tanto de mãe, um fardo de dor
Por onde choro rindo de quê?
Por que eu rio chorando de quem?
da mulher predreira na TV
do meu povo cheio de querer
o melhor pros filhos comer
Eu tô rindo pra quem?
pro samba que cria um jovem
e leva na noite bom ânimo
aos corações que carecem de paz
Eu tô chorando por quê?
porque o porto perdeu seu príncipe
novos e velhos mudaram de lá
baixou a cidade, como não chorar?
Eu tô chorando por onde?
a água matou muita sede na pátria
matou muita gente, que horror!
um tanto de mãe, um fardo de dor
Por onde choro rindo de quê?
Por que eu rio chorando de quem?
domingo, 17 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Papelão
papéis de cartão
papéis de almaço
papel passado
papéis de jornal
papéis quadriculados
papel higiênico
papéis impressos
papéis rabiscados
papel avulso
papéis reciclados
papéis recortados
papel de puta
papéis de almaço
papel passado
papéis de jornal
papéis quadriculados
papel higiênico
papéis impressos
papéis rabiscados
papel avulso
papéis reciclados
papéis recortados
papel de puta
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Vontade
O homem da lotação o desejou como homem
e como homem identificou-se como membro
comendo com olhos como se fosse boca
o que um homem como ele come como homem
e como homem identificou-se como membro
comendo com olhos como se fosse boca
o que um homem como ele come como homem
domingo, 10 de janeiro de 2010
Cigarretes
Fui derrotado pelo vício inferno que traga minha vida aos poucos.
Ao menos venci o tédio maldito que nem o pouco me deixa ser.
sábado, 9 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Acampamento urbano
O arroz até cai em companhia. O menino, despenteado, se ajeita para engolir a marmita. A mãe está nos devaneios do voraz consumo que se propõe - como quem descobre um parque de diversões (ou uma fábrica de chocolate). Ela, prestativa aos anseios, chegou cedo. Fez dali, sua casa. Mais a frente, os parceiros de mão, de mãe, de papo, de trapo, de fato. Cansados, aguardam a oportunidade - que geralmente vem nesta época de estoque velho - sentados. A que não tem marido passa a pensar no ferro de passar à R$ 19,90. A mãe velha trocará a TV velha pela TV gigante (não tenho noções de polegadas). A senhora de braços à tanque não via hora de lavar na máquina de lavar. E tem aqueles que procuram um novo som de batidão, de penteadeira, de fogão, de lava-louças, de panela de pressão. O garotão, na fila, só quer acesso ao unviverso virtual. Seu irmãozinho, um brinquedinho anormal. Mas tem o pai, não desses todos, mas de uns que nem ele sabe. Tá ali, querendo apenas aproveitar o gosto de gastar. Depois desses tantos, e no meio das prestações, todo mundo dá um jeito de engolir a marmita.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Vício eterno de uma mente com lembranças
Não aguentava mais ver aquilo no escuro. Ou melhor, não ver. Cautelosamente conquistei a luz. Pude assistir o ato, deslumbrando cada movimento. Ele, sempre agitado naquela hora da noite, estava com os nervos rígidos. Vermelho (ou roxo), em pé e pronto para lançar sobre ela a qualquer momento. Ela, desencaminhada em movimentos lânguidos e às vezes firme, se batia contra e a favor dele. Prazer imenso, onde consegui intervir apenas no final e, como já sabia, entrei numa melemolência singular (apesar de que sempre é a mesma coisa). Uma vergonha? Não, não para os imorais e não arrependidos como eu. Além do mais, em todas as casas aquilo acontece . Todas. Fui dormir imundo.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
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