quarta-feira, 28 de julho de 2010

Pico

escultura divina dos céus
das bocas mais sedentas

espada que penetra a carne
humana desleal

membro ativo que pontua
orifícios, manuais

jorra a vida em cor de paz
e por fim nos satisfaz

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O som que vem da Feira


José do Bonfim Batista (ou apenas Seo Bonfim, como é conhecido); há 20 anos sendo trilha sonora da Feira do Produtor, na Zona 7.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Nós

você podia querer alguém melhor e
eu podia querer alguém mais
mas a gente se quer bem

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Julho

Quero Julho com toda síndrome da pressa.
E quando esse tempo chegar
Eu quero a malemolência dos dias em passos cegos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dono do abraço

Pai, que mãos o meu segredo
difícil o meu medo
no teu sonho mais perfeito

Quando vem com aquele abraço
ainda tenho sarro desse fato
que mesmo eu o faço

Pai, de todo meu alento
numa quadra em pensamento
deu meia volta contra o vento

Quem mesmo é que não sabe
das graças do teu rebento
não dá juízo a quem não cabe

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Tão Rejeitado

Dê ao menos os ouvidos ao diabo
que ele empurra a tua porta, teu sagrado

Lamente não o teu querer torcido, de quem?
são teus amores completos pra mais alguém

Deixe isso quieto, não, rapaz de nós
abraça aquele arco no armário que era só

Põe em cores o teu vento, teu santo
que é pra longe não ver o preto branco



Para Kauê Berto

terça-feira, 6 de abril de 2010

segunda-feira, 22 de março de 2010

Saudade do Amor

Doce amor que não se tem
nem de mais nem de ninguém
sem os cheiros e seus primeiros
amores que provêm

Amargo amor que não se tem
nem recebido ou mais despercebido
com as cores e seus tremores
não, não mais se tem

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Rainha da Maldade II

A saudade vai bater, sim vai
chorar eu sei que vou
e não há mais clara esperança

A saudade vai bater, eu sei que vai
recusar eu sei que vou
é tristeza e pé no chão

A saudade vai bater, ainda vai
feliz será o difícil
pois sou sofrimento de quem ama

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Antes de deixá-lo ir

Talvez seja preciso deixá-lo ir desta - definitiva - vez. O tanto devido me importei, senti. São minhas religiões. Talvez seja preciso deixá-lo ir. Tentei, roguei. São minhas permissões. O que fiz desde então? Não sei. Não encontro o ponteiro convicto da nossa direção, então posiciono a agulha com o próprio dedo. Sem certeza, sem confiança. Mas o que posso fazer? O que se deve esperar? Não sei se é melhor tê-lo na folga do teu abandono ou se é melhor nunca mais. Não sei se é melhor insistir ou se devo desistir. Não sei como andar nesse deserto, sem bússola, sem verdes. Por isso, me sinto no desconforto do episódio. Sem saber se o rumo certo foi apontado. Peço, não deixe de se preocupar, sempre. Perceba a dificuldade em saber o que será bom daqui pra frente. Os costumes, hábitos, os ícones e os símbolos talvez não sejam os mesmos. O pulsar que convida o choro pode ser mais intenso (como tem sido nos últimos dias) e a muralha de areia poderá nunca descansar. Não estou bem, mas talvez seja preciso deixá-lo ir ou precise ainda mais de você, meu irmão.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dúvida e Certeza

Por Daniel Van Flymen

Como seria estar lá, lá dentro?
cavidade alagada
que nada exalta os nervos
permanecem calados

Risos e rijos encontra no dele
exuberância querida
que obriga rompimento dos lábios
bendita comida

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Rainha da maldade

Saudade
em que os abutres lá dentro voam
desespero de minha dor
ameaçadora em cunho de delírio
Falta que se faz
na escuridão de olhos abertos
atentos ao vocabulário dos castigos
ameaçador em calão grosseiro
Logística
de pontes desmanchadas pelo tempo
frio e quente nas suas obrigações
que roubam de nós o oculto tempo
Saudade

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Retorno

Eu tô rindo de quê?
da mulher predreira na TV
do meu povo cheio de querer
o melhor pros filhos comer

Eu tô rindo pra quem?
pro samba que cria um jovem
e leva na noite bom ânimo
aos corações que carecem de paz

Eu tô chorando por quê?
porque o porto perdeu seu príncipe
novos e velhos mudaram de lá
baixou a cidade, como não chorar?

Eu tô chorando por onde?
a água matou muita sede na pátria
matou muita gente, que horror!
um tanto de mãe, um fardo de dor

Por onde choro rindo de quê?
Por que eu rio chorando de quem?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Se eu fosse um objeto

                                       Às vezes a gente se sente.