quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Paciência, meu rapaz

Ô meu Deus, eu não sei
porque esse título ganhei
Se tudo isso também é meu
por que neste canto me concedeu?

Peço que me demita, ó Pai
deste nome que a canção influenciou
e me sopre para o destino da história
onde o povo e o som fizeram memória

Onde o calor que passa é maior
e o carnaval, sem dúvida, é melhor
onde os passos de dança são raízes
e tú, Senhor, tem os braços abertos e seduz

Mas se para lá, ó Pai, não me fantasia
carrega-me então para onde o sol tem vergonha
e as folhas com chuva ensaiam ritos dançantes
no lar onde o frio acompanha o vinho de Borgonha

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Embora, embora

Retornou
e numa manhã de Terça me carregou para o Rio
me fazendo ver o que o Brasil não viu

Peixes na escada, dupla de samba e o preto véio que pouco enxerga na calçada

Os trapos fortes cores, num vermelho azul
com branco gesso de fundo em flores, tão...

Me buscou
nesse verde pacato que me vejo na vida
que não cansa de segurar e fazer ficar

num canto preso de martelo ao peito
vendo o Rio tão ali, de mundo inteiro

embora, embora
me carrega daqui

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Letícia

Teus olhos me convidam
a experimentar a fruta nova que desconheço

Tua boca me peca no céu
e excluiu esses rapazes que já presenciei

Tua seda negra são valsas
que me iludem no requinte do apreço

Tua obra em corpo
me põe em dúvida os líquidos que já tomei

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Egoísta

Eu de viver os eróticos em estampas
Eu de tocar as mãos dos filhos sem pais
Eu que sou das santas
dos desviados por demais

Eu de chorar os véus de mulheres cristãs
Eu de tomar o fino final mesmo em pé
Eu que sou das pagãs
e me entusiasma o candomblé

Eu de querer os homens e amar as mulheres
mesmo que desfiadas em menosprezos de séries
Eu que em dias me amo
e nem pareço ter esses anos

Eu, tão eu que não quero
Eu, em virtude de diversos
de versos
que são eu

Eu de desejar o preto da eternidade
Eu de buscar o acesso a claridade
Eu que sou dos alternos
dos gargalhos deste inferno

Eu, tão eu que me quero
Eu, no encontro dos meus
diversos
que são eu

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Resposta para um Amigo

Uma vez um amigo me questionou
o porquê da minha preocupação
Disse a ele que o amava
e o carregava no coração

Aqueles que amamos,
do nosso corpo se tornam extensão
Portanto aquilo que os fere,
ferimentos nos trarão.

Luiz Henrique de Jesus Alves

Estes versos não são de minha autoria,
mas os tomo por exatidão de pertença.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Réquiem

Em cores reais se comemora
o luto das desavenças sem préstimos
O que seria da passarela já determinada
sem a parceria dos estranhos de outrora?
Espumantes de palavras bem tratadas
Degustamos como se tudo fosse embora,
Mas não, não será jamais a partida em vida
se nem o repouso eterno apagará seu sopro afora
não apagará.

Então utilizo este Meio frio para vomitar o que transborda, que é bom.
Porque as letras - que formaram signos - em junção de ontem, tapou lacunas.
Pois ''eu só tenho minha família, minha esposa que eu amo, minha filha e você''.
E mesmo que pequenas rachaduras, das lacunas então, ainda transpareçam, eu sei o quanto é verdade.
Utilizo este Meio frio para expor o choro em alegria do ''Eu te amo'' na escuridão calada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pertubação

Paralítico no berço quente ao norte
Anseio
de mundo

Soma-se poucos anos para o crescimento forte
onde o menino possa andarilhar
sem dor de volta ao gesto nômade

Serrem as pernas ou as entorte
mas troquem o brinquedo
de canções aborrecidas ao longo do enforque

Daqui tempos vacilantes não mais
aqui
Pois daqui não mais será
mesmo que o berço o acompanhe por entre a sorte

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Minha

Já não estou para a escrita
Fechei a porta na cara das palavras
estas, que não dão o que comer
E quanto ao espanto, dei-lhe tapas
porque lançou-me sobre os pregos
e a misericórdia? Nada tem a fazer
Então seguro as mãos de um corcunda
e o acompanho até a morte.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ane XXI

Fiel figura fértil
Consorte
Dos naturais apreços
sem esboço planejado és
pintura bela
Mãe de luz Clara
do coração de mais além
Será que você?
Existe.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A fábrica é sempre aberta

Acham que a distância não descansa em paz
dividiram o paralelo e tanto faz
porque lhe atribuíram uma cabeça

Os filhos das escolas não enxergam mais
não pulam o muro e são todos iguais
porque lhe atribuíram uma cabeça

É verde pra quem olha pela fechadura
mas temos pinceladas vermelhas rupturas
porque lhe construíram uma cabeça

Sejam sem disfarces, combatam ferraduras
mesmo com espantos, mesma vida dura
mas sem que lhes construam uma cabeça

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Luiz XXI

Sentiria falta dos seus chápeus
às minhas costas descoordenadas
companhia de cenas, letras e melodias
será que você?
portador do juízo e das cortesias
leitor de vidas e vidas
passadas em passados
de coração redutor


Para o mais peculiar dos companheiros.

domingo, 9 de agosto de 2009

Domingueira

Dominical quando não dramático
poético
Entro aos doridos de domingo
e defendo os versos em primeira pessoa

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Os passáros já se calam
as figuras trocadas estão
não ao ganhador
não houve derrotado

Nos encontros passam
as datas marcadas são
não houve despedida
perdemos a partida