papéis de cartão
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papéis rabiscados
papel avulso
papéis reciclados
papéis recortados
papel de puta
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Vontade
O homem da lotação o desejou como homem
e como homem identificou-se como membro
comendo com olhos como se fosse boca
o que um homem como ele come como homem
e como homem identificou-se como membro
comendo com olhos como se fosse boca
o que um homem como ele come como homem
domingo, 10 de janeiro de 2010
Cigarretes
Fui derrotado pelo vício inferno que traga minha vida aos poucos.
Ao menos venci o tédio maldito que nem o pouco me deixa ser.
sábado, 9 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Acampamento urbano
O arroz até cai em companhia. O menino, despenteado, se ajeita para engolir a marmita. A mãe está nos devaneios do voraz consumo que se propõe - como quem descobre um parque de diversões (ou uma fábrica de chocolate). Ela, prestativa aos anseios, chegou cedo. Fez dali, sua casa. Mais a frente, os parceiros de mão, de mãe, de papo, de trapo, de fato. Cansados, aguardam a oportunidade - que geralmente vem nesta época de estoque velho - sentados. A que não tem marido passa a pensar no ferro de passar à R$ 19,90. A mãe velha trocará a TV velha pela TV gigante (não tenho noções de polegadas). A senhora de braços à tanque não via hora de lavar na máquina de lavar. E tem aqueles que procuram um novo som de batidão, de penteadeira, de fogão, de lava-louças, de panela de pressão. O garotão, na fila, só quer acesso ao unviverso virtual. Seu irmãozinho, um brinquedinho anormal. Mas tem o pai, não desses todos, mas de uns que nem ele sabe. Tá ali, querendo apenas aproveitar o gosto de gastar. Depois desses tantos, e no meio das prestações, todo mundo dá um jeito de engolir a marmita.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Vício eterno de uma mente com lembranças
Não aguentava mais ver aquilo no escuro. Ou melhor, não ver. Cautelosamente conquistei a luz. Pude assistir o ato, deslumbrando cada movimento. Ele, sempre agitado naquela hora da noite, estava com os nervos rígidos. Vermelho (ou roxo), em pé e pronto para lançar sobre ela a qualquer momento. Ela, desencaminhada em movimentos lânguidos e às vezes firme, se batia contra e a favor dele. Prazer imenso, onde consegui intervir apenas no final e, como já sabia, entrei numa melemolência singular (apesar de que sempre é a mesma coisa). Uma vergonha? Não, não para os imorais e não arrependidos como eu. Além do mais, em todas as casas aquilo acontece . Todas. Fui dormir imundo.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Então a vida me permite dois irmãos
Num desses dias
talvez especial
talvez desigual
tudo parece
tudo aparece
Você e mais um
comigo mais um
faz e se mexe
meu coração remexe
e tenho outro
pra gostar de rir
pra gosto de amar
e pedir licença
na maior insistência
pra você ficar
e se você não quer
eu já não tenho
nem um nem outro
nem de mim tampouco
e pra mim é pouco
talvez especial
talvez desigual
tudo parece
tudo aparece
Você e mais um
comigo mais um
faz e se mexe
meu coração remexe
e tenho outro
pra gostar de rir
pra gosto de amar
e pedir licença
na maior insistência
pra você ficar
e se você não quer
eu já não tenho
nem um nem outro
nem de mim tampouco
e pra mim é pouco
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Figuras trocadas
Vou num tom, mas volto sem a menor harmonia. Se por aí estou, até sou, mas para o lado de cá, não existo. Ao redor deles, sorrio e rogo às horas para lentos passos, pois quero ficar. Que me perdoe os meus, mas não há felicidade por aqui e nem ali, apenas lá. Sinto-me perdido como as gotas de chuva que em primeira viagem desconhecem a macia terra e, junta dela, minhas lágrimas. Devo ser um verme, desses que se apega e louva os seres humanos e, deles, o meu amor é maior. Por quê? Não entendo, apenas amo sem seleção de nomenclatura, apenas amo. Não existe pai, não houve mãe. Não sou da minha, não que eu não queira. Acontece. Aconteceu desde sempre. Agora é tão intenso, talvez pela semelhança incoerente, talvez pela inocência voraz e faminta por experiência vida. Até pode ser pelos olhos que não temem o encontro. Não sei. Não é esclarecedor o meu ato de apropriação de afetos e gestos e isso tortura. Cavalgo na fera cega, sem mapa, sem exatidão. Mas conforto as luzes internas excluindo os catálagos, as placas, as relações. No caminho cinza (ou preto e branco) encontro a árvore estarrecida e em lamentos. Com doses de confusão, choro. Derramo por saudade no colo de minha mãe e na seguência dos fatos, odeio. Por quê? Por que amo mais os que não são meus? Por quê?
domingo, 3 de janeiro de 2010
A tal da alegria
Alegria,
que se faz de miséria
à míngua! Seca e pobre
Alegria,
que desconheço por inteira
tímida! Fraca e perdida
Sinto pena da alegria
que rasteja com o auxílio de um guia
tão mais deserto que a tal alegria
Alegria,
perdoe-me por revelar
mas será sempre frio o teu jantar
Alegria,
a felicidade não chegará na tua cama
calada! morta e incapaz
que se faz de miséria
à míngua! Seca e pobre
Alegria,
que desconheço por inteira
tímida! Fraca e perdida
Sinto pena da alegria
que rasteja com o auxílio de um guia
tão mais deserto que a tal alegria
Alegria,
perdoe-me por revelar
mas será sempre frio o teu jantar
Alegria,
a felicidade não chegará na tua cama
calada! morta e incapaz
sábado, 2 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Afago em despedida
Ah! Eu tenho que voltar
porque és a minha casa
meu mais que bem-estar
Ah! Eu não posso lá ficar
porque dentre tantos homens
és o único que me faz amar
amar a vida que em dias me desapego
e que dela ainda quero prolongar
nesse mato falhado que é tão meu
meu amigo, que deixo por aí
por aqui nos meus afagos
no peito, no canto
porque és a minha casa
meu mais que bem-estar
Ah! Eu não posso lá ficar
porque dentre tantos homens
és o único que me faz amar
amar a vida que em dias me desapego
e que dela ainda quero prolongar
nesse mato falhado que é tão meu
meu amigo, que deixo por aí
por aqui nos meus afagos
no peito, no canto
domingo, 27 de dezembro de 2009
Coleção dos outros e algumas outras
Eu me deito em outras camas
e às vezes rejeito minha dama
O meu esposo nem imagina
que abandono a casa e escorrego com outras meninas
Trago para cá perfume de mulheres.
Banho-me antes que ela largue os talheres
Minha senhora tem o fruto mais gostoso,
por isso, divide com Sr. Cabral e Sr. Veloso
Escondido em minhas vestes o carimbo da prostituta.
O que dizer ao meu amor antes que ela se assuste?
Pela manhã penetrei aquela de saia.
À noite, dormi com rapazes na praia
Escolhi uma donzela, pois, sinto falta do gomo novo.
Que me perdoe aquela santa, que só serve para os bolos
Cheguei na madrugada tarde por demais
não houve mulheres, apenas um rapaz
Sai de casa como um homem
para recompensar a noite de ontem
Dentre as mulheres sou a de diferentes hábitos
permito que todas beijem meus quatro lábios
Tomo todos que desejo pelo verso
pode ser fêmea ou um gostoso perverso
e às vezes rejeito minha dama
O meu esposo nem imagina
que abandono a casa e escorrego com outras meninas
Trago para cá perfume de mulheres.
Banho-me antes que ela largue os talheres
Minha senhora tem o fruto mais gostoso,
por isso, divide com Sr. Cabral e Sr. Veloso
Escondido em minhas vestes o carimbo da prostituta.
O que dizer ao meu amor antes que ela se assuste?
Pela manhã penetrei aquela de saia.
À noite, dormi com rapazes na praia
Escolhi uma donzela, pois, sinto falta do gomo novo.
Que me perdoe aquela santa, que só serve para os bolos
Cheguei na madrugada tarde por demais
não houve mulheres, apenas um rapaz
Sai de casa como um homem
para recompensar a noite de ontem
Dentre as mulheres sou a de diferentes hábitos
permito que todas beijem meus quatro lábios
Tomo todos que desejo pelo verso
pode ser fêmea ou um gostoso perverso
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Paciência, meu rapaz
Ô meu Deus, eu não sei
porque esse título ganhei
Se tudo isso também é meu
por que neste canto me concedeu?
Peço que me demita, ó Pai
deste nome que a canção influenciou
e me sopre para o destino da história
onde o povo e o som fizeram memória
Onde o calor que passa é maior
e o carnaval, sem dúvida, é melhor
onde os passos de dança são raízes
e tú, Senhor, tem os braços abertos e seduz
Mas se para lá, ó Pai, não me fantasia
carrega-me então para onde o sol tem vergonha
e as folhas com chuva ensaiam ritos dançantes
no lar onde o frio acompanha o vinho de Borgonha
porque esse título ganhei
Se tudo isso também é meu
por que neste canto me concedeu?
Peço que me demita, ó Pai
deste nome que a canção influenciou
e me sopre para o destino da história
onde o povo e o som fizeram memória
Onde o calor que passa é maior
e o carnaval, sem dúvida, é melhor
onde os passos de dança são raízes
e tú, Senhor, tem os braços abertos e seduz
Mas se para lá, ó Pai, não me fantasia
carrega-me então para onde o sol tem vergonha
e as folhas com chuva ensaiam ritos dançantes
no lar onde o frio acompanha o vinho de Borgonha
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