Não aguentava mais ver aquilo no escuro. Ou melhor, não ver. Cautelosamente conquistei a luz. Pude assistir o ato, deslumbrando cada movimento. Ele, sempre agitado naquela hora da noite, estava com os nervos rígidos. Vermelho (ou roxo), em pé e pronto para lançar sobre ela a qualquer momento. Ela, desencaminhada em movimentos lânguidos e às vezes firme, se batia contra e a favor dele. Prazer imenso, onde consegui intervir apenas no final e, como já sabia, entrei numa melemolência singular (apesar de que sempre é a mesma coisa). Uma vergonha? Não, não para os imorais e não arrependidos como eu. Além do mais, em todas as casas aquilo acontece . Todas. Fui dormir imundo.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Então a vida me permite dois irmãos
Num desses dias
talvez especial
talvez desigual
tudo parece
tudo aparece
Você e mais um
comigo mais um
faz e se mexe
meu coração remexe
e tenho outro
pra gostar de rir
pra gosto de amar
e pedir licença
na maior insistência
pra você ficar
e se você não quer
eu já não tenho
nem um nem outro
nem de mim tampouco
e pra mim é pouco
talvez especial
talvez desigual
tudo parece
tudo aparece
Você e mais um
comigo mais um
faz e se mexe
meu coração remexe
e tenho outro
pra gostar de rir
pra gosto de amar
e pedir licença
na maior insistência
pra você ficar
e se você não quer
eu já não tenho
nem um nem outro
nem de mim tampouco
e pra mim é pouco
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Figuras trocadas
Vou num tom, mas volto sem a menor harmonia. Se por aí estou, até sou, mas para o lado de cá, não existo. Ao redor deles, sorrio e rogo às horas para lentos passos, pois quero ficar. Que me perdoe os meus, mas não há felicidade por aqui e nem ali, apenas lá. Sinto-me perdido como as gotas de chuva que em primeira viagem desconhecem a macia terra e, junta dela, minhas lágrimas. Devo ser um verme, desses que se apega e louva os seres humanos e, deles, o meu amor é maior. Por quê? Não entendo, apenas amo sem seleção de nomenclatura, apenas amo. Não existe pai, não houve mãe. Não sou da minha, não que eu não queira. Acontece. Aconteceu desde sempre. Agora é tão intenso, talvez pela semelhança incoerente, talvez pela inocência voraz e faminta por experiência vida. Até pode ser pelos olhos que não temem o encontro. Não sei. Não é esclarecedor o meu ato de apropriação de afetos e gestos e isso tortura. Cavalgo na fera cega, sem mapa, sem exatidão. Mas conforto as luzes internas excluindo os catálagos, as placas, as relações. No caminho cinza (ou preto e branco) encontro a árvore estarrecida e em lamentos. Com doses de confusão, choro. Derramo por saudade no colo de minha mãe e na seguência dos fatos, odeio. Por quê? Por que amo mais os que não são meus? Por quê?
domingo, 3 de janeiro de 2010
A tal da alegria
Alegria,
que se faz de miséria
à míngua! Seca e pobre
Alegria,
que desconheço por inteira
tímida! Fraca e perdida
Sinto pena da alegria
que rasteja com o auxílio de um guia
tão mais deserto que a tal alegria
Alegria,
perdoe-me por revelar
mas será sempre frio o teu jantar
Alegria,
a felicidade não chegará na tua cama
calada! morta e incapaz
que se faz de miséria
à míngua! Seca e pobre
Alegria,
que desconheço por inteira
tímida! Fraca e perdida
Sinto pena da alegria
que rasteja com o auxílio de um guia
tão mais deserto que a tal alegria
Alegria,
perdoe-me por revelar
mas será sempre frio o teu jantar
Alegria,
a felicidade não chegará na tua cama
calada! morta e incapaz
sábado, 2 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Afago em despedida
Ah! Eu tenho que voltar
porque és a minha casa
meu mais que bem-estar
Ah! Eu não posso lá ficar
porque dentre tantos homens
és o único que me faz amar
amar a vida que em dias me desapego
e que dela ainda quero prolongar
nesse mato falhado que é tão meu
meu amigo, que deixo por aí
por aqui nos meus afagos
no peito, no canto
porque és a minha casa
meu mais que bem-estar
Ah! Eu não posso lá ficar
porque dentre tantos homens
és o único que me faz amar
amar a vida que em dias me desapego
e que dela ainda quero prolongar
nesse mato falhado que é tão meu
meu amigo, que deixo por aí
por aqui nos meus afagos
no peito, no canto
domingo, 27 de dezembro de 2009
Coleção dos outros e algumas outras
Eu me deito em outras camas
e às vezes rejeito minha dama
O meu esposo nem imagina
que abandono a casa e escorrego com outras meninas
Trago para cá perfume de mulheres.
Banho-me antes que ela largue os talheres
Minha senhora tem o fruto mais gostoso,
por isso, divide com Sr. Cabral e Sr. Veloso
Escondido em minhas vestes o carimbo da prostituta.
O que dizer ao meu amor antes que ela se assuste?
Pela manhã penetrei aquela de saia.
À noite, dormi com rapazes na praia
Escolhi uma donzela, pois, sinto falta do gomo novo.
Que me perdoe aquela santa, que só serve para os bolos
Cheguei na madrugada tarde por demais
não houve mulheres, apenas um rapaz
Sai de casa como um homem
para recompensar a noite de ontem
Dentre as mulheres sou a de diferentes hábitos
permito que todas beijem meus quatro lábios
Tomo todos que desejo pelo verso
pode ser fêmea ou um gostoso perverso
e às vezes rejeito minha dama
O meu esposo nem imagina
que abandono a casa e escorrego com outras meninas
Trago para cá perfume de mulheres.
Banho-me antes que ela largue os talheres
Minha senhora tem o fruto mais gostoso,
por isso, divide com Sr. Cabral e Sr. Veloso
Escondido em minhas vestes o carimbo da prostituta.
O que dizer ao meu amor antes que ela se assuste?
Pela manhã penetrei aquela de saia.
À noite, dormi com rapazes na praia
Escolhi uma donzela, pois, sinto falta do gomo novo.
Que me perdoe aquela santa, que só serve para os bolos
Cheguei na madrugada tarde por demais
não houve mulheres, apenas um rapaz
Sai de casa como um homem
para recompensar a noite de ontem
Dentre as mulheres sou a de diferentes hábitos
permito que todas beijem meus quatro lábios
Tomo todos que desejo pelo verso
pode ser fêmea ou um gostoso perverso
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Paciência, meu rapaz
Ô meu Deus, eu não sei
porque esse título ganhei
Se tudo isso também é meu
por que neste canto me concedeu?
Peço que me demita, ó Pai
deste nome que a canção influenciou
e me sopre para o destino da história
onde o povo e o som fizeram memória
Onde o calor que passa é maior
e o carnaval, sem dúvida, é melhor
onde os passos de dança são raízes
e tú, Senhor, tem os braços abertos e seduz
Mas se para lá, ó Pai, não me fantasia
carrega-me então para onde o sol tem vergonha
e as folhas com chuva ensaiam ritos dançantes
no lar onde o frio acompanha o vinho de Borgonha
porque esse título ganhei
Se tudo isso também é meu
por que neste canto me concedeu?
Peço que me demita, ó Pai
deste nome que a canção influenciou
e me sopre para o destino da história
onde o povo e o som fizeram memória
Onde o calor que passa é maior
e o carnaval, sem dúvida, é melhor
onde os passos de dança são raízes
e tú, Senhor, tem os braços abertos e seduz
Mas se para lá, ó Pai, não me fantasia
carrega-me então para onde o sol tem vergonha
e as folhas com chuva ensaiam ritos dançantes
no lar onde o frio acompanha o vinho de Borgonha
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Embora, embora
Retornou
e numa manhã de Terça me carregou para o Rio
me fazendo ver o que o Brasil não viu
Peixes na escada, dupla de samba e o preto véio que pouco enxerga na calçada
Os trapos fortes cores, num vermelho azul
com branco gesso de fundo em flores, tão...
Me buscou
nesse verde pacato que me vejo na vida
que não cansa de segurar e fazer ficar
num canto preso de martelo ao peito
vendo o Rio tão ali, de mundo inteiro
embora, embora
me carrega daqui
e numa manhã de Terça me carregou para o Rio
me fazendo ver o que o Brasil não viu
Peixes na escada, dupla de samba e o preto véio que pouco enxerga na calçada
Os trapos fortes cores, num vermelho azul
com branco gesso de fundo em flores, tão...
Me buscou
nesse verde pacato que me vejo na vida
que não cansa de segurar e fazer ficar
num canto preso de martelo ao peito
vendo o Rio tão ali, de mundo inteiro
embora, embora
me carrega daqui
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Letícia
Teus olhos me convidam
a experimentar a fruta nova que desconheço
Tua boca me peca no céu
e excluiu esses rapazes que já presenciei
Tua seda negra são valsas
que me iludem no requinte do apreço
Tua obra em corpo
me põe em dúvida os líquidos que já tomei
a experimentar a fruta nova que desconheço
Tua boca me peca no céu
e excluiu esses rapazes que já presenciei
Tua seda negra são valsas
que me iludem no requinte do apreço
Tua obra em corpo
me põe em dúvida os líquidos que já tomei
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Egoísta
Eu de viver os eróticos em estampas
Eu de tocar as mãos dos filhos sem pais
Eu que sou das santas
dos desviados por demais
Eu de chorar os véus de mulheres cristãs
Eu de tomar o fino final mesmo em pé
Eu que sou das pagãs
e me entusiasma o candomblé
Eu de querer os homens e amar as mulheres
mesmo que desfiadas em menosprezos de séries
Eu que em dias me amo
e nem pareço ter esses anos
Eu, tão eu que não quero
Eu, em virtude de diversos
de versos
que são eu
Eu de desejar o preto da eternidade
Eu de buscar o acesso a claridade
Eu que sou dos alternos
dos gargalhos deste inferno
Eu, tão eu que me quero
Eu, no encontro dos meus
diversos
que são eu
Eu de tocar as mãos dos filhos sem pais
Eu que sou das santas
dos desviados por demais
Eu de chorar os véus de mulheres cristãs
Eu de tomar o fino final mesmo em pé
Eu que sou das pagãs
e me entusiasma o candomblé
Eu de querer os homens e amar as mulheres
mesmo que desfiadas em menosprezos de séries
Eu que em dias me amo
e nem pareço ter esses anos
Eu, tão eu que não quero
Eu, em virtude de diversos
de versos
que são eu
Eu de desejar o preto da eternidade
Eu de buscar o acesso a claridade
Eu que sou dos alternos
dos gargalhos deste inferno
Eu, tão eu que me quero
Eu, no encontro dos meus
diversos
que são eu
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Resposta para um Amigo
Uma vez um amigo me questionou
o porquê da minha preocupação
Disse a ele que o amava
e o carregava no coração
Aqueles que amamos,
do nosso corpo se tornam extensão
Portanto aquilo que os fere,
ferimentos nos trarão.
Luiz Henrique de Jesus Alves
Estes versos não são de minha autoria,
mas os tomo por exatidão de pertença.
o porquê da minha preocupação
Disse a ele que o amava
e o carregava no coração
Aqueles que amamos,
do nosso corpo se tornam extensão
Portanto aquilo que os fere,
ferimentos nos trarão.
Luiz Henrique de Jesus Alves
Estes versos não são de minha autoria,
mas os tomo por exatidão de pertença.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Réquiem
Em cores reais se comemora
o luto das desavenças sem préstimos
O que seria da passarela já determinada
sem a parceria dos estranhos de outrora?
Espumantes de palavras bem tratadas
Degustamos como se tudo fosse embora,
Mas não, não será jamais a partida em vida
se nem o repouso eterno apagará seu sopro afora
não apagará.
Então utilizo este Meio frio para vomitar o que transborda, que é bom.
Porque as letras - que formaram signos - em junção de ontem, tapou lacunas.
Pois ''eu só tenho minha família, minha esposa que eu amo, minha filha e você''.
E mesmo que pequenas rachaduras, das lacunas então, ainda transpareçam, eu sei o quanto é verdade.
Utilizo este Meio frio para expor o choro em alegria do ''Eu te amo'' na escuridão calada.
o luto das desavenças sem préstimos
O que seria da passarela já determinada
sem a parceria dos estranhos de outrora?
Espumantes de palavras bem tratadas
Degustamos como se tudo fosse embora,
Mas não, não será jamais a partida em vida
se nem o repouso eterno apagará seu sopro afora
não apagará.
Então utilizo este Meio frio para vomitar o que transborda, que é bom.
Porque as letras - que formaram signos - em junção de ontem, tapou lacunas.
Pois ''eu só tenho minha família, minha esposa que eu amo, minha filha e você''.
E mesmo que pequenas rachaduras, das lacunas então, ainda transpareçam, eu sei o quanto é verdade.
Utilizo este Meio frio para expor o choro em alegria do ''Eu te amo'' na escuridão calada.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Pertubação
Paralítico no berço quente ao norte
Anseio
de mundo
Soma-se poucos anos para o crescimento forte
onde o menino possa andarilhar
sem dor de volta ao gesto nômade
Serrem as pernas ou as entorte
mas troquem o brinquedo
de canções aborrecidas ao longo do enforque
Daqui tempos vacilantes não mais
aqui
Pois daqui não mais será
mesmo que o berço o acompanhe por entre a sorte
Anseio
de mundo
Soma-se poucos anos para o crescimento forte
onde o menino possa andarilhar
sem dor de volta ao gesto nômade
Serrem as pernas ou as entorte
mas troquem o brinquedo
de canções aborrecidas ao longo do enforque
Daqui tempos vacilantes não mais
aqui
Pois daqui não mais será
mesmo que o berço o acompanhe por entre a sorte
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